terça-feira, março 20, 2007

puzzia do dia das poesias

há no ano um dia
em que por pudor uso silêncio

todos os outros minto:
minto à musa, minto à poesia, à rima
e até a mim um trauteio invento:
digo-me vate, faço puzias,
em poemas sou profícuo e vasto.
mas escondo-me por vergonha no dia
que da poesia fizeram monumento.
nesse dia, faça chuva ou sopre vento
riam-se as musas e assoprem-me a rima,
nesse dia, poesia, eu não faço.

aquele que dizem já ser amanhã,
dia em que se rasga a má rima e pisa-se o descaramento
de sem vergonha dizer, com lamento,
deste dia não ser meu e, até
se rimar, até disso,
hoje eu, por pudor,
rasgo este papel e guardarei silêncio.

(o Santo Google tem destas coisas, e é uma forte razão para gostar tanto dele: escrevi "puzia" e uma das imagens que deu era esta. sem link, qualquer coisa em germânico tipo "error 404"...)

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