domingo, fevereiro 25, 2007

a energia das ondas

Este fim-de-semana, a pretexto duma consulta médica em Lisboa, "fui ver o Mar". Quando digo que fui ou vou ver o mar digo mais que do gosto por ele, aqui ausente em lezíreo dia-a-dia com Tejo por fundo, ondas que me faltam: ficciono do encontro com o seu meneio, dos pretextos e da maré, do seu bambolear pelas areias meu trejeito por ruas não as habituais aos dias outros mas onde, sei, a ficção casa-se com a realidade como na praia a magia do mar borbulha a areia, brilhando-a, humidificando as securas dos chápeus-de-sol do bilhete-postal do estival quotidiano. Nestas fugas encontro quem conhece e aceita o formato de ambos, mútuos 'duplos', meu virtual e meu real. Da minha ida com anseios de ver e estar com quem igualmente gosta de me ver além do virtual mas sem 'os' separar, conhecendo-os e estimando-os, mais ficciono palavras outras como prazer d'amigo, fábula real nada virtual.
Findas as formalidades que da saúde trataram, ainda na sexta-feira, fui à Bica do Sapato, lá para os lados de Stª Apolónia, para um muíla*-encontro de aprofundamento de relações culturais entre tribos que, depois, tarde de muita conversa e algum passeio em demanda de sossegos para ela, seguiu para aqui (caril com fuba, caprichos tribais: estreia minha que sempre que vou ao 'Aziz' como o caril mas é com arroz), mais longa a noite conversada aqui, "O Bacalhoeiro", grata surpresa daquelas que Lisboa nunca parará de me dar enquanto haja quem mas revele e, já tantas da manhã, cândida e o mais discretamente que me foi possível, passei ao largo e de mansinho por um auto-stop na av. 24 de Julho, o incómodo no consciente de reconhecer que, se parasse e assoprasse no famoso aferidor dos excessos tabelados, poderia 'haver problemas'. Não houve e segui, a noite serpenteante pela costa (a mais bela estrada de Portugal?), olhei e passei as areias de Oeiras iluminadas e estacionei em tribo que é também minha. Regressei hoje ao clã, amanhã segunda à memória do marulhar.
Disto tudo o título; fica a sombra no túnel paisagem urbana, epiderme outra que Lisboa me trás e eu gosto de nela me retratar.

* muíla: tribo que situo (mais ou menos de memória, é onde a 'vejo') na região dos Grandes Lagos africanos, sul egípcio por aí abaixo; as suas mulheres são dotadas de beleza muito singular: se de boina, tanto parecem parisienses dos anos cinquenta com bicicleta no corredor e todo o charme latino na alma ou, olhando-lhes a alvura da pele e os olhos, muito especiais, junto com o peculiar sardento que tempera o nariz de traço à Nefertiti, supõe-se traçarem-se copos e palavras com mui britânica moça, lá do Shire onde, dizem, há tribos e castas assim: de alvoraçar mangusso e espevitar intelectual... :-)
(foto dela, meu recanto de sossego quando 'vou ver o Mar', ela também aqui.)

2 Comments:

Blogger th said...

Voltei ao sofá na tenda tribal, obrigada pelo carinho, th

11:31 da tarde  
Blogger Carlos Gil said...

:-)
(lugar nunca ocupado: é teu!)

11:58 da tarde  

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