sexta-feira, janeiro 19, 2007

tic-tac d'um cabrão


não tenho tempo para olhar o Tempo,
mistifório de tic-tac's
que asfixia e esconde a luz
e o meu dia.

não são horas de sonho,
criação ou ilusão.
serão mais múltiplos sessenta, lentos
nacos de dor.

(e os segundos que se esvaiem sem fruir,
sentir a sua delonga...)

olho-o: não pára.
é olhar de luxo olhá-lo,
gastá-lo vendo-o terminar-se.
mesmo assim faço essa despesa sem fim
este término fardo,
farelo da Ilusão

- corda que me move e faz olhá-lo
esgaravatar de fenda, traço ou lampejo
que valha a sua falsa lentidão.

(gastas-me, Tempo nefasto

musa a prazo, estro, nume,
tic-tac d'um cabrão.
má percentagem do cinzento
que devora e eu julgava incontáveis,
o Tempo e a Ilusão)

voraz, glutão, insaciável,
sôfrego, falso lento, acelerado,
apressado, ligeiro, precipitado.
rodas, rodas e não páras
tic-tac irreplegível
juntas sinónimos de ávido ao meu tempo
enganas-me roubando-o de mim.

porque não me dás mais tempo,
seu tic-tac aldrabão?
(o bonito relógio estava numa parede daqui)

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