sexta-feira, junho 02, 2006

ainda em volta das estantes - XV



(Duas filas aparentemente inócuas, mais duas entre tantas: engano, pois muito há a dizer sobre estas retratadas.

O primeiro destaque vai inteirinho para a extraordinária antologia de textos surrealistas de Mário Cesariny: considero-o das obras mais valiosas da minha 'colecção' e atenção que, números redondos, terei à volta de cinco mil títulos espalhados pela casa e nem sempre os compro ao quilo. Depois, não evito sorrir sempre que olho para os dois 'pão com manteiga' e o 'o roque e a amiga': que saudades... sou - somos!..., dum tempo em que se ouvia rádio com fidelidade e devoção a programas em que a criatividade, a inteligência e o bom humor casavam-se para nos ajudar a crescer intelectualmente. Esse foi um deles, e dou graças ao livreiro que me colocou nas mãos estes três registos escritos do melhor desse programa. Têm estatuto próprio para alinharem ombro a ombro com tantos que já aqui desfilei ou virão, mais os outros que se refugiam nas sombras fotográficas.

Óbvio que há os Cardoso Pires e merecem estar à mão. Mas está lá meia escondida Amélie Nothombe que me deliciou com o 'a higiene do assassino', embora nunca mais me tenha dado prazer igual. Mas eu sou assim, e quando um autor me dá obra-pitéu sou de lhe perdoar muitas ementas de dieta. Infelizmente ela não tem sido parca em mas proporcionar e muito provavelmente, em breve, ou teremos uma séria conversa de pé-de-orelha de leitor para autora, ou deixo de a comprar e ler. Mas até lá insisto, é como a Marie Darrieussecq que referi aqui: como leitor ainda não desisti dela, autora, saiba ela estar à altura e voltar a dar-me estranhos prazeres como mos deu, leitor, em 'estranhos perfumes'.

Não fecho estas filas sem dar meia linha aos semi escondidos da fila de trás, os John Grisham. Provavelmente tenho todos os editados em português e gostei de praticamente todos. Será, parece-me, o melhor autor de thrillers judiciários, muitos furos acima de, exemplo pois mora lá ao lado, Nancy Taylor Rosenberg. A ler em noites ociosas, recomendo)

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