domingo, maio 21, 2006

o manipulador

Aos dois três anos levava-a para o café aos domingos de manhã e gozava os favores da ternura que ela inspirava aos matutinos da meia torrada e do jornal domingueiro. Um figurão, portanto. Hoje tem treze e já há muito tempo que não quer ir ao café comigo. Azar meu.

Mas agora tem um cão. Em rigor é uma cadela, a Tufas, que já aqui apresentei (e mais aqui), bicha que em casa a todos seduziu tão facilmente como o faz a qualquer um que a veja: é bonita a cachopa, com aquele ar traquinas e meio gremlin, e 'fofinha' é o adjectivo mais ouvido embora não imaginem que o seu maior prazer é... morder; será da mudança de dentes - nossa grande esperança.

Há dias atrás (e contra os conselhos da veterinária que acha que ela só deve sair à rua aos quatro/cinco meses, quando lá vamos neste peregrinar penoso dum bichinho minúsculo que, em seis meses, tem de levar mais vacinas que eu levei em cinquenta anos), bem, dizia, há dias levei-a à socapa à loja onde nos conhecemos, comprei-lhe uma 'coleira' que não é coleira mas sim uns mini arreios que enlaçam o corpo, modelo de gato pois são os únicos possíveis para o seu tamanho mini-mini. Tirou-se logo lá o guizo, está claro, pois não quero que alguém pense que a minha Tufas é arraçada de gato, nada dessas mariquices: é mesmo "fera" (mas é 'fofinha') E comprei aquela maquineta de desenrolar e enrolar frio: uma destas trelas modernaças com aspirações a telecomando, cinco metros de fio e uma mola.

Se na ida para lá a viagem já fora prometedora pois a carita peluda e curiosa que eu levava ao colo despertou sorrisos, o regresso foi um sucesso. Sem estar a comparar performances e gracinhas duma com a outra, senti-me como nos domingos de café de há dez anos atrás. Não era a miúda que corria de mesa em mesa e em todo o lado lhe queriam fazer uma festinha e meter conversa, agora era a bichana que corria alegre da vida, cheirando o tanto mundo novo, novo como ela nunca imaginara que existisse. Zangando-se com as formigas que faziam um carreiro que mexia ou dando as corriditas que a sua pouca força permitiam, nunca mais de dois três metros de trela pois não tem forças para fazê-lo mais longe, sem incómodo. E regressa para mim, ela contente pelas suas infanto-caninas razões e eu por estar obrigatoriamente incluído na fotografia: grupos de estudantes no jardim paravam de galhofar, namorados de namorar, velhotes de ver correr o ar, e todos a apontavam e a chamavam para lhe fazer uma festa: "é tão fofinha!" Foram trezentos metros de glória local como antes nunca conhecera, em sete ou oito anos que já levo deste bairro.

Daí o título: um manipulador. Como aqui: quem leu e não teve um bocadinho de inveja de mim?

:-)

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

lol, o mangusso já arranjou (outra)forma de engatar pitinhas, que útil te saiu a Tufas lol!, beijo, muf'.

2:08 da manhã  
Blogger Anamargens said...

Eu tive inveja, Carlos. Muita inveja...
A sua menina não vai consigo ao café porque já tem treze anos...
Os meus meninos, já não vão comigo ao café (às vezes até vão), porque são uns latagões grandes e independentes e têm já casa própria. E nem tenho uma TUFAS para fazer os namorados pararem de namorar...

5:27 da tarde  

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