sexta-feira, maio 05, 2006

da estante



No meu livro, o "Xicuembo", entrego-me bastante à recordação das traquinices da infância e da adolescência, reinventando o seu humor no contá-las, do hoje em idade e dum mundo que é tão diferente. O puto que fui, é o puto que nós todos fomos, e desejei que o livro contasse disso.
Mas quem me dera duas coisas: ter tido memórias destas para contar, e fazê-lo assim. E penso em como eram felizes, então, os leitores dos jornais desportivos que tinham cronistas desta qualidade e não tarefeiros de pena fácil e algum jeito para contar fait-divers, que é o que por lá se lê, hoje.
Livro já antigo e penso que agora reeditado, provavelmente dos primeiros de Fernando Assis Pacheco, e que descobri recentemente. Que recomendo para quem gosta do estilo crónicas, de sorrir à meninice e de boa escrita, poesia em prosa. Tudo junto, entre capas a conservar: é por momentos destes que eu tenho uma grande satisfação por gostar de ler, tanto e tão bem que um livro nos pode dizer e fazer, e também ensinar em como bem se escreve; e tantos, tantos os que já me deram esse prazer, a que muito recentemente juntei o "Memórias de um craque" de Fernando Assis Pacheco.
Lembrei-me disso ao andar a mexer nos livros, por outra razão. Achei que devia contá-lo, pois um livro de que tenhamos gostado recomenda-se e não se esconde: tenho umas 'filas de cima', nas estantes, que são a minha vergonha: às vezes ponho-me a olhar para eles e a pensar que raio me terá atingido para ter comprado certas coisas... mas, este, está guardado ao alcance do meu orgulho por tê-lo: é dos bons.

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