quinta-feira, março 23, 2006

Sexo & Salinas


Ela perguntou, provocadora: "porque é que os peixes do mar não são salgados?" Um sem blog e link possível de ser explicado, pois é do imenso grupo que faz a diferença em qualquer local que o sinta, fez um trocadilho com a salga do bacalhau ou coisa assim, e eu enlouqueci:
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“não é nada disso! o peixe, como os cães os gatos, os caranguejos e as pessoas, também bebe água. Como nos mares não há a EPAL estava condenado a beber só água salgada. E assim aconteceu durante milhares, milhões de anos.
Mas a Natureza tudo corrige, quando vai a tempo.... No caso foi e, em lentas mutações, desenvolveu nos peixes um órgão que é uma espécie de alambique, ou filtro, ou lá como se chama aquela coisa que vendem nas casas aos clientes insatisfeitos com a dita EPAL. No caso em análise, peixes, os cientistas chamam-lhe "membranus filtrotis salgadus est, alias era". Li uma vez um artigo sobre isto, aqui na net.
Assim, quando eles abrem a boca para beber água salgada, a tal membrana acolhe-a, filtra-a, côa-a, e passa para o esófago só a doce, límpida, cristalina, epalística, sendo que o sal, ora cristalizado, sai nos dejectos pela parte anterior, vulgo cauda.
As salinas não são mais que latrinas piscícolas, ora bem. Mas esta é outra parte, e não era este o tema... voltemos à água salgada e ao porquê dos peixes não serem 'salgados', embora vivam na e bebam a água salgada. Como retro explicado, há um processo natural, físico, de decomposição do líquido ingerido em duas partes: uma, a potável, é absorvida pelo corpo do escamoso e vai dar-lhe aquele aspecto branquinho à carne que tão bem conhecemos; a outra, o desperdício, sai pelo seu primo do ânus, tubo de escape salinoso. Todo? não, não todo, e aqui está mais uma maravilha da natureza e de como ela tupo aproveita e recicla, tudo torna útil e prazenteiro aos prazeres da carne, mesmo que de vulgo peixe se trata. Aliás, "até os bichinhos gostam..."
Portanto, e como explicava o que uma vez li, desse sal cristalizado que depois é ejectado pelo tubo de escape (olham com atenção para um aquário: nem todas as bolhinhas vêm da boca do dito, pois não?), há uma ínfima parte, o escol, a 'gema', que o organismo retém e depois utiliza em rituais de acasalamento. Como? como age? Assim: quando uma peixa vê um peixe e coisa & tal, e vice-versa, o que lhes fazem bater as pestanas não são os movimentos voluptuosos das caudas, não é bem como nos humanos. Nos peixes as fenomonas são salgadas e por basta razão: quando um peixe (ou uma peia, é igual e são mt liberais) pensa que, enfim, até dava uma, uma minúscula bolsa no seu interior (junto à guelra esquerda, li no tal artigo, (procurem no Google salt + sex + fish + good) abre uma portinhola e solta uns pozinhos daquela coisa, salgada, a pura essência do sal. O corpinho do dito/a, com o choque electrofásico do tempero, tem um estremecimento e, maravilha das maravilhas! (li...) as escamas agitam-se levemente, suavemente, quase impávidas aos nossos olhos mas como que capote vermelhão para touro da lezíria: é como um analfabeto passar pelas montras de Amesterdão e ler perfeitamente "anda cá, ó cabrito" mesmo sem saber ler uma letra do tamanho dum boi.
E assim acontecem as coisas, não é só a história do ovo e dos ninhos que deve ser ensinada ás criancinhas, está chegada a hora de lhes contar o porquê de os peixes do mar não serem salgados. Eu, confesso-vos, desde que li o tal artigo que evito passar pela praça, secção das peixeiras: sinto-me como um necrófilo, pois não sei se do cheiro a sal, se das escamas, sei lá do qu~e, a verdade verdadinha é que, entre bancadas e gritos de "ó freguês! ólhá maruca, a pescadinha, o carapau e a sardinha!", vejo com outro olhar as peixeiras, vejo-lhes atributos que eram insuspeitos e noto-lhes qualidades que, noutro local nunca veria, e tenho de desatar a fugir dali antes que... glupp! tchau, chega de National Geographic.”


'Lá' falei em bilhetes; aqui são a 2,50 € e envio NIB por mail, a pedido.
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(o local de acasalamento peixal onde foi gamada a foto é inocente à minha existência)

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