domingo, janeiro 07, 2007

post-in para sobreviver ao telemóvel

Na porta do frigorífico, ao lado das doses dos comprimidos e dos horários das aulas, escola, ginásio e as de piano incluídas, mais de tudo o que se cola nas portas dos frigoríficos pois não só é in como até dá jeito, põe-se mais um: um ao qual não é preciso dar-lhe lugar cimeiro pois o destaque subirá por si; e a proveito de si, decretante e informador.

Que de segunda a sexta-feira ele, telemóvel nº tal, estará ligado em horário de serviço, sempre que se estiver na estrada, se alguém estiver doente ou se há razão especial para isso. Ou só porque foi combinado.

Que nos dias santos e nas borlas semanais há a seguinte alteração:

Em feriados e fins-de-semana, como é usual, não há horários rígidos de trabalho; portanto o dito cujo está em norma desligado excepto nas tais situações especiais já ditas. Além disso, atendendo a que há sempre coisas “inadiáveis” e “imperdíveis” que exigem o nosso ‘terceiro’ empenho nos fins-de-semana, em períodos pré- as usual e durante um quarto-de-hora o telemóvel estará ligado para qualquer improvisação. Fora disso é simples: kaputt, e antes também se vivia sem trim-trim no bolso.

Os cabelos brancos não podem ser todos de más memórias e quero acreditar que a maioria deles nasceu antes das telecomunicações começarem a andar connosco, seja a almoçar e a ler o jornal, na sanita ou só sentado num lugar qualquer a ver a vida rolar, mansa - e de repente ele toca, quebra-se a paz de tentar viver sem depressões ou crises nervosas. Há quem não adormeça sem ir verificar se ele está ligado. Eu, isso do dormir com uma campainha ao lado não consigo; quanto ao acordado vai ser assim como está escrito.
O telemóvel é um big brother que, estranhamente e perante o bréu-bréu-bréu pardais-ao-ninho que sempre soa quando se fala no livro, foi socialmente ‘aceite’, integrado, mastigado, má digestão e úlceras nervosas à porta. Do bolso vêm cantares estranhos, soam “onde estás? ouve… eu preciso..”, coisas assim, e há os dias santos e os domingos, fins-de-semana da vidinha que têm de ser mais, folgas à vidinha: desligando-o, torno-as horas nobres e EU preciso delas.

Assina o gajo do nº tal e tal

(agora vê lá se não te esqueces de voltar a encher a garrafa de água, antes de a guardares...)



(imagem: igualzinho ao meu, e estava aqui)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Consegui descobrir um pequeno espaço no canto inferior direito da porta do meu frigorífico, onde coloquei o horário do meu télélé, superiormente fixo por um iman (um papagaio todo colorido que me trouxeram do Brasil. Só espero que não sirva de aperitivo à Docas. Jonnhy.

3:23 da tarde  

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