terça-feira, dezembro 05, 2006

Sobre... - IV


A "questão-aborto" menoriza as habituais clivagens da sociedade política, o remanso do 'match' esquerda-direita. Por vezes fala-se que este ou aquele tema "é fracturante na sociedade portuguesa". Exacto, acontece. Eis um deles.
Aquando das legislativas a posição sobre o aborto era apenas mais uma alínea na carta partidária de intenções, menu que sabemos de ginjeira que ninguém cumpre à risca - e para quem se esqueceu Sócrates relembrou-o. Ou seja, ninguém votou no partido A ou B pela posição que ele alegou em relação à IVG. Ou pelo menos só por isso. O voto não era vinculativo.
Argumentar-se, como parece que o fazem o PCP e o BE, que é assunto que compete exclusivamente aos deputados decidir é asneira descomunal, mais um prego e dos grossos na urna parlamentar que a nossa democracia carrega às costas e a balões de soro quadrienais.
Eu, tu, as mulheres e também os homens, todos, temos o direito de ser ouvidos sobre um assunto que extravasa além de convicções religiosas ou políticas pois é bem mais profundo que o agitar periódico de bandeiras ao som da campainha do sr. Pavlov. Não é o IVA, é a Vida.
Haja juízo. Parem com o berreiro histérico e discuta-se com argumentos que sejam valia, guardem-se as fardas de carnaval para quando se decidir quem vai ser o chofer por mais quatro ou cinco anos, não quando o que está em causa são duas Vidas, mãe e filho, eu e tu porque não?
PS: Além de que ninguém se esqueça que o referendo tem regras. Está na Constituição, bíblia para todas as ocasiões e não só para quando dá jeito.
(imagem habitual, de todos conhecida e inegavelmente bonita)

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