quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Saldos aos Nobel

Esta manhã, na estação de correios. Como em todas hoje em dia, na sala de espera/atendimento estão à venda livros e utilidades de papelaria e como há que aguardar que chegue a minha vez, ticket na mão 'passei-lhes' os olhos. Vejo que a D.Quixote está a saldar os Nobel, 5 €uros cada e à escolha, 'eles' e mais, nobelizados ou não. Irmanados nos saldos. Lindo expositor: dará aos que ainda não o foram a ilusão de que o serão, assim 'a modos' como eu me senti algumas vezes quando, muito infelizmente por poucas vezes e em pouco tempo, vi o Xicuembo nas mesas e prateleiras ao lado de nomes "campeões", também meus, sonhando um dia olhado assim como eu os olhava a eles, "campeões". Adiante senão fico piegas.
Faço-me a um Nadine Godimer (PN 1991), dos 'grossos', "Um capricho da natureza", e a um "A tomada do poder", Czeslaw Milosz (PN 1980), de que nunca li nada e seduzido pelo tema: a Europa do leste no período entre o nazismo e o implosão do Sol moscovita. Junto-lhes um Cabrera Infante, "Três tristes tigres", e as memórias de família de Zélia Gattai (a migração italiana para o Brasil, finais do séc XIX e príncipio do outro, aquele que vimos falecer sem que se lhe consiga fazer o luto), "Città di Roma"; finalmente um completamente desconhecido Peter Carey, "Oscar e Lucinda", sem pejo nem dúvidas pois, diz na contra-capa, esse romance ganhou o Booker Prize: essa malta não se costuma enganar tal a qualidade que todos os anos têm as obras candidatas.
Depois chamaram o '42' e lá fui eu. 5 x 5 = 25? errado. A leitura do código de barras dá-os a quatro euros cada, e assim pago só vinte e trago um à borla (nem sei a qual dar a honra: "eles que 'são brancos' que se entendam"). Entre o correio que se manda e o que se recebe, as contas dos livros, etc, há dois dedos de conversa que, estando o tema à vista, passou pelos livros. E diz ela: "- há que aproveitar pois os livros estão tão caros". Um resmungo de "- claro, claro.." respondeu-lhe. E acrescenta, ela: "- já reparou? há aí livros a quase vinte euros, tão caros! quem é que os compra, assim?". Pensei-o e disse-o, não me contive: "- ... e há almoços que custam isso, e para além dos floreados é só comida. um livro acompanha-nos uma semana, um mês, e depois pode sempre continuar a sua vida nas mãos doutro, até poderá ser relido; a comida... a natureza evacua-a de nós muito mais rapidamente..." Silêncio. Igual àquele de quando sugiro a leitura dum certo livro e ouço: "- mas eu tenho lá tempo para ler!", e não me contenho e retruco: "- e quando o tinhas? o que lias?"

Na próxima vez que voltar aos correios levo óculos escuros.
(etiqueta daqui)

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